Feirense (3-6-7, 15pts) vs. Benfica (13-3-0, 42pts)
Estádio Marcolino de Castro, Santa Maria da Feira
Sábado, 28 de Janeiro, 2012
20:30, Transmissão televisiva na TVI
"Operários vestiram de vermelho". Era este um dos títulos da página de desporto do Diário de Lisboa do dia 23 de Janeiro de 1978. A crónica referia-se a um Feirense v Benfica a contar para o nacional da primeira divisão e, tal como o título deixa antever, foi um Benfica de "fato macaco" aquele que defrontou e venceu a equipa de Santa Maria da Feira por uma bola a zero. 34 anos depois, a receita para ganhar no mesmo local aparenta ser a mesma. Os encarnados deslocam-se ao renovado Marcolino de Castro ávidos de dar continuidade à excelente campanha que vêm fazendo no campeonato, mas têm pela frente uma equipa do Feirense com a esperança de fazer deste jogo o trampolim para uma época tranquila. Num relvado de dimensões reduzidas (curiosamente já em 1978 as dimensões do campo eram tema de conversa), onde a proximidade entre os muros das bancadas e o relvado é mínima, espera-se um jogo de tremendas dificuldades para os encarnados (o Feirense sofreu apenas 5 golos como visitado) que, mesmo assim, tudo farão para sair da "batalha" da Feira com os três pontos.
A principal limitação prática das reduzidas dimensões do reduto dos fogaceiros está relacionada com o espaço que a equipa do Benfica terá para atacar. Geralmente, considera-se que quanto mais espaço uma equipa ocupa no campo, maior a sua capacidade para manter a posse da bola (daí a necessidade de fazer campo grande a atacar) uma vez que o adversário tem que cobrir uma área maior para recuperar a posse. Deste modo, as dimensões mais reduzidas do Marcolino de Castro vão, em teoria, facilitar a tarefa defensiva do Feirense que vai ajustar posições mais rapidamente (porque tem menos espaço para ocupar) e, assim, condicionar fortemente a ligação do jogo encarnado. Para além disso, os jogadores benfiquistas terão de pensar e executar muito mais rapidamente. A receita para ultrapassar este tipo de circunstâncias estará no trabalhar bem a saída de bola, de preferência invertendo o lado de saída antes de progredir para obrigar a equipa da casa a ajustar o seu posicionamento. Fundamental será mesmo que a bola circule com velocidade e que a equipa, no seu todo, mantenha os seus níveis de concentração competitiva elevados (agressividade e intensidade). A tendência para um jogo mais físico e de maior luta pode ainda fazer com que este se oos lances de bola parada sejam de extrema importância.
Equipas prováveis
Feirense (4x3x3)
Paulo Lopes;
Pedro Queirós, Varela, Luciano e Stopira;
Cris, Hélder Castro e Miguel Pedro;
Diogo Cunha, Buval e Ludovic.
Outros convocados: Douglas, William, Mika, Diogo Rosado, Siaka Bamba, Thiago Freitas e Jonathan.
Benfica (4x4x2)
Artur;
Maxi Pereira, Luisão, Garay e Emerson;
Witsel, Javi García, Pablo Aimar e Nolito;
Rodrigo e Oscar Cardozo.
Outros convocados: Eduardo, Luís Martins, Miguel Vítor, Matic, Bruno César, Gaitán, Saviola e Nélson Oliveira.
Ratings das equipas
Ataque:
Feirense: -0,71 (16th)
Benfica: 1,29 (1st)
Defesa:
Feirense: 0,05 (10th)
Benfica: -0,34 (4th)
Total:
Feirense: -0,76 (15th)
Benfica: 1,63 (1st)
Últimos encontros
O Feirense já defrontou o Benfica no Marcolino de Castro em três ocasiões, todas a contar para o campeonato nacional. Aqui fica um pequeno resumo histórico desses três encontros, que se saldaram em duas vitórias para o Benfica e ainda um empate a um golo.
Época 1962/63*
O primeiro encontro entre os dois clubes no Estádio Marcolino de Castro realizou-se em 31 de Março de 1963, na 22ª jornada da I Divisão Nacional. O Feirense recebeu o então bi-campeão europeu Benfica na Vila da Feira, que viveu um dos seus maiores dias desportivos de sempre. Dado o grande entusiasmo existente, assistiram ao jogo milhares de espectadores que lotaram por completo o Estádio. O Feirense com surpresa esteve a vencer por 1-0 com um golo de Brandão aos 2 minutos de jogo, mas acabou por ser derrotado por 6-1, com dois golos de Torres aos 17 e 89 minutos e quatro golos de Eusébio aos 28, 34, 46 e 51 minutos. Como curiosidade, a receita do jogo foi de cerca de 150 contos e um canal de televisão da Holanda esteve presente a fazer a reportagem do jogo.
Árbitro: Braga Barros, de Leiria.
O Feirense, treinado por Artur Baeta, alinhou com Zeferino, Jambane, Gonzalez, Aurélio, Silva, Marciano, Brandão, Rui Maia, Medeiros, Eduardo e Ramalho.
O Benfica, treinado pelo chileno Fernando Riera, alinhou com Costa Pereira, Angelo, Raul, Cruz, Jacinto, Humberto, José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões.
Época 1977/78*
Em 22 de Janeiro de 1978, a contar para a 14ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o Feirense recebeu e perdeu por 1-0 com o Benfica no lotado Estádio Marcolino de Castro. O golo do Benfica foi marcado por Nené aos 13 minutos. Apesar da derrota, o Feirense bateu-se de forma estóica e determinada.
Árbitro: António Espanhol, de Leiria.
O Feirense, treinado por João Mota, alinhou com Silva Morais, Babalito, Cândido, Brito, Sobreiro, Parra, Seminário (Bites 68 m), Zéquinha, José Domingos, Serginho e Henrique (Cipó 53 m).
O Benfica, treinado pelo inglês John Mortimore, alinhou com Bento, Bastos Lopes, Humberto, Eurico, Alberto, Pietra, Shéu, Toni (Pereirinha 75 m), Néné, Vítor Baptista e Chalana (Cavungi 52 m).
Época 1989/90*
Em 22 de Abril de 1990, na 29ª jornada da I Divisão Nacional, a portuguesíssima equipa do Feirense recebeu o Benfica, que estava então apurado para a final da Taça dos Campeões Europeus. O Estádio Marcolino de Castro esteve praticamente lotado. O Feirense realizou uma boa exibição e conquistou mesmo um empate 1-1 com o Benfica. O sueco Magnusson marcou para o Benfica com um golo de livre directo aos 45 minutos, tendo João Luís empatado o jogo para o Feirense aos 65 minutos, depois de uma excelente jogada de Ribeiro.
Árbitro: Soares Dias, do Porto.
O Feirense, treinado por Henrique Nunes, alinhou com Rufino, Licínio, Costa, Valido (Ribeiro 60 m), Marcelino, Morgado, Pedro Martins, Couto, Resende (Quitó 74 m), Artur e João Luís.
O Benfica, treinado pelo sueco Sven-Goran Eriksson, alinhou com Silvino, José Carlos, Paulo Madeira, Paulinho, Samuel, Hernâni, Vítor Paneira (Lima 76 m), Chalana, Pacheco (Vata 69 m), César Brito e Magnusson.
*(Retirado de http://clubedesportivofeirense.blogspot.com/)
Treinadores
Quim Machado: «Este é um jogo muito difícil. Defrontamos o Benfica, que está com a moral em alta, é primeiro classificado e só o nome diz tudo. Algum dia o Benfica terá de perder. Nós só perdemos um jogo em casa e já recebemos equipas fortes. Para se ganhar ao Benfica é preciso a conjugação de dois fatores: para além da motivação que existe sempre, é preciso concetração e eficácia nas bolas paradas»
Jorge Jesus: «Vai ser um jogo difícil, porque o campeonato é complicado. O Feirense foi uma equipa atrevida na Luz. Vamos encontrar uma equipa difícil, motivada, que irá correr muito. Não vamos ter facilidades e não vai haver muito espaço para jogar. Vai haver muita pressão, mas temos uma estratégia para o encontro»
Previsão
Feirense 0-2 Benfica
Simulação da partida: Benfica vence 95% das vezes.