Foi um jogador às direita. Na direita. Pelo lado direito das coisas. Descoberto no Norte, em Famalicão, escondido dos principais holofotes. Vítor Paneira chegou ao Benfica e não tardou a impor-se. Era rei do corredor direito, assim numa espécie de monarquia absoluta. Naquela faixa do rectângulo, divertia-se e contagiava. Bem pode a paternidade reivindicar de alguns trechos do melhor futebol que se viu no Benfica dos anos mais recentes.Cedo integrou um forte conjunto de jogadores. Talvez começasse temeroso, naquele 88/89, no meio de vice-campeões da Europa. Miraculado ou quase, à terceira jornada do Nacional, presença cativaria no onze, para nunca mais perder a confiança dos treinadores. Sagrou-se campeão nacional na primeira temporada em que usou acessórios vermelhos.Mais dois títulos haveria de obter, em 90/91 e 93/94, com quase meia centena de golos apontados nos jogos oficiais.Faltou a Vítor Paneira disputar a fase final de um Europeu ou de um Mundial. Mesmo assim, contabilizou 44 internacionalizações, tendo até vencido metade das partidas em que participou. Já a nível do clube, mesmo sem ter levantado uma Taça europeia, interveio na final dos Campeões, em 89/90, frente ao poderoso Milan (0-1), chegando ainda à meia-final da Taça dos Vencedores das Taças, em 93/94, ante o Parma, com uma grande penalidade falhada e porventura decisiva. Já a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido de Oliveira foram outros troféus que haveria de conquistar.
Vítor Paneira não era, como se diz na gíria, um goleador. Competia-lhe desbravar, isso sim, os melhores caminhos, encurtando espaço e tempo. Para o efeito, socorria-se de um drible precioso e também desconcertante, de assistências geométricas e também fatais, de cruzamentos preciosos e também eficazes. Convidava ao golo, avolumando sempre o caudal ofensivo da equipa. Formou com Rui Costa, Paulo Sousa e Paulo Futre o último meio-campo do Benfica de dimensão mundial. Mas também marcou o ritmo da intermediária, valorizando, até por emulação, os recortes técnicos de Elzo, Valdo, Jonas Thern, Kulkov ou Izaías. Da mesma forma, muito lhe ficaram a dever finalizadores com o instinto de Vata, Magnusson, César Brito, Rui Águas ou Yuran.À sagacidade que sempre patenteou ficou-lhe também muito a dever o Benfica. E porque é norma da casa, já lá vão cem anos, respeitar quem a (bem) serviu, Vítor Paneira sabe que o clube lhe reservou um lugar na galeria dos mais brilhantes.
Épocas no Benfica: 7 (88/95).
Jogos: 289
Golos: 44
Títulos: 3CN, 1TP, 1ST
Texto: Memorial Benfica, 100 GlóriasCopiado de Ednilson