Shéu

Full Name: 
Shéu Han
Weight (kg): 
0
Country: 
Portugal
Born in: 
Inhassoro (Moçambique)
Season: 
SeasonTeamGamesGoalsMinutesYellowsReds
1972/1973SL Benfica00000
1973/1974SL Benfica00000
1974/1975SL Benfica00000
1975/1976SL Benfica00000
1976/1977SL Benfica00000
1977/1978SL Benfica00000
1978/1979SL Benfica00000
1979/1980SL Benfica00000
1980/1981SL Benfica00000
1981/1982SL Benfica00000
1982/1983SL Benfica00000
1983/1984SL Benfica00000
1984/1985SL Benfica00000
1985/1986SL Benfica40041200
1986/1987SL Benfica37073300
1987/1988SL Benfica350241600
1988/1989SL Benfica5022500
In Benfica1170378600

É bem um caso de veri, vidi, vici, o do menino africano de origem asiática, europeu se fez, por Shéu Han responde. Filho de um pescador, Low Fuck Him, que significa “aquele que nasceu da terra a ela há-de voltar um dia”. Paciente como os chineses, harmonioso como os moçambicanos, determinado como os portugueses, de Inhassora viajou até à actualidade, absorvendo um misto de culturas, com denominador comum, a graça do jogo, a magia da bola.Tinha Shéu seis anos quando foi para a cidade da Beira. Sentia-se sufocado, longe daqueles espaços infindáveis que calcorreava a seu bel-prazer. No colégio sentiu o valor da liberdade, mas as obrigações escolares não o amoleceram. Tornou-se prematuramente maduro, crescendo mais na vida que na idade, ele que já não adormecia nos olhos protectores da mãe. A “chincha” colou-se-lhe ao destino. Começou por se recriar no a-e-i-o-u do pontapé. Sugeria dotes para a função. Depois, não muito depois, já menos ócio e mais sacerdócio, integrou-se na equipa do Sport Lisboa e Beira, filial moçambicana do Benfica, glosando o posto de extremo-direito e a vocação pelo golo. Não tardou que seleccionado fosse, no Dia do Júnior, para a equipa da Beira, que se bateu perante a congénere de Lourenço Marques. “Como era muitas vezes apanhado na situação de fora-de-jogo, talvez pela ânsia de marcar, o treinador fez-me recuar para a zona central do terreno”. Virou médio, naquele instante. Médio seria, até ao termo da carreira. Se alguma virtude o colonialismo teve, talvez seja possível encontra-la nas frequentes deslocações de cidadão portugueses, socialmente importantes, aos territórios dos subjugados países africanos. Que o diga Shéu, quando foi observado pelo tenente-coronel Manuel da Costa, que logo se rendeu ao seu engenho. Benfiquista de gema, aquele militar abordou a família e a Lisboa comunicou o achado. Corria o ano de 1970. O ano do desembarque de Shéu na então metrópole.Vivia no Lar, à Baixa só ia por necessidade, que “aquele movimento fazia uma enorme confusão”, treinava-se nos escalões juniores do Benfica. Mário Coluna, o eterno capitão, foi o seu primeiro treinador, logo seguido de Ângelo Martins, outra das maiores referências do vermelho-vivo. Disciplinado, atento, colheu ensinamentos preciosos. Não regateou o trabalho, o esforço. Dava gosto vê-lo, sempre aprumado, naquelas milícias jovens, transportando ambição. A primeira consequência, foi o titulo no Campeonato de Lisboa, na categoria júnior, frente ao Sporting, por 2-1, com um golo da sua paternidade. Campeão nacional seria também no mesmo escalão etário.Na passagem a sénior, o clube não prescindiu dos seus serviços, naquela que foi a sua primeira grande afirmação. Claro que era difícil impor-se, tão abundante se mostrava o quadro de jogadores. Nem por isso se deixou aperrear. A 15 de Outubro de 1972, experimentou o frenesim da estreia na turma de honra, no Barreiro, com José Henrique, Malta da Silva, Humberto Coelho, Rui Rodrigues, Adolfo, Jaime Graça, Toni, Simões, Nené, Eusébio, Artur Jorge e Jordão. O Benfica venceu, por 3-0. Campeão seria. Também Shéu, mercê dessa única aparição, no ano em que “o meu ídolo Eusébio, já com 31 anos, conquistou a sua segunda Bota de Ouro, ao marcar 40 golos”. Nas duas temporadas seguintes, mais uma com Hagan e Cabrita, outra com Milorad Pavic, Shéu quase penou, só aparecendo de forma pouco mais que fugaz. A partir da regência de Mário Wilson, em 75/76, ganhou lugar quase cativo no onze. Assim continuaria durante anos a fio. Sempre discreto, no estilo de pézinhos de lã, era o melhor no combate da eficiência. Tornou-se um centro campista de características defensivas. Lajos Baroti, mestre da FIFA, chegou a dizer que “o Shéu bem merecia vestir a camisola com as insígnias da UEFA”. Fez 17 épocas ininterruptas, garantindo nove Campeonatos, seis Taças e duas Supertaças. Participou ainda na final da Taça UEFA, mas o golo que marcou perante o Anderlecht, na Luz, revelou-se insuficiente para o triunfo sorrir ao Benfica. E, com a braçadeira de capitão, subiu ao palco do Neckarstadion, em Estugarda, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, ganha pelo PSV, após aquele famigerado remate de Veloso da marca dos 11 metros. Internacional foi ainda por 24 ocasiões, com dois golos no bornal.Figura incontornável do Benfica, com low profile, Shéu fixou-se no clube até à actualidade, no desempenho dos mais diferentes cargos. Fixou-se também, como se de verdadeiro general se tratasse, na galeria dos notáveis do exército vermelho.

 

Épocas no Benfica: 17 (1972/1989)Jogos: 488Golos: 45Títulos: 9 CN, 6 TP e 3 ST

 

Texto: Memorial Benfica, 100 GlóriasCopiado de Ednilson

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