A Sorte de Capdevila: os maus também triunfam

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A Sorte de Capdevila: os maus também triunfam

Lateral explica a escolha do número 38 no Benfica e o gosto pela camisola encarnada

Por Vítor Hugo Alvarenga2012-03-20 14:21h

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Joan Capdevila queria chamar-lhe algo como «os maus também triunfam». Foi sempre assim. Considera-se um jogador mediano com sorte na carreira. Acabou por ceder e, no momento de lançamento da sua biografia, cedeu a outro título: A Sorte.

Curiosamente, o espanhol deverá ter, nesta terça-feira, a oportunidade de disputar um clássico do futebol português. Com Emerson na bancada, deverá ser titular frente ao F.C. Porto.

O livro começa agora a ser publicado em Espanha. Entre as curiosidade que interessam aos adeptos portugueses, destaque para o número utilizado por Capdevila no Benfica. Afinal, o derradeiro exemplo da superstição que acompanha o campeão europeu e mundial. 

«Quando chegou ao Benfica, Joan viu que o 11 já estava ocupado. Então escolheu o 38 porque 3 mais 8 é igual a 11, o número da sorte. Este livro anda muito em volta desse número porque o Joan é extremamente supersticioso. O livro tem 11 capítulos e esse era o seu número na seleção espanhola no Mundial de 2010».

Outra particularidade curiosa. «Joan também adorou a camisola do Benfica, achou que lhe transmitia uma boa sensação, por ser roja, ser como a camisola da seleção espanhola.»

«Acha que é um futebolista normal com sorte»

Alma Marín Berbís, antiga jornalista e velha conhecida de Capdevila, explica os contornos da obra ao Maisfutebol. Os capítulos divulgados em Espanha não falam sobre o Benfica mas a co-autora revela ao nosso jornal algumas passagens.

«Joan escreve sobre o Benfica no último capítulo do livro. Nolito, seu atual companheiro, e Jorge Andrade também deram o seu contributo nesse capítulo. Sinceramente, não sei se ele merece o que está a passar agora no Benfica, mas é apenas a minha opinião», frisa Alma Marín.

Joan Capdevila não se deslumbrou, garante. Nunca. Aliás, o título do livro prova a modéstia do lateral. «E não é falsa modéstia. Ele queria mesmo chamar-lhe 'os maus também triunfam', porque acha que é um futebolista normal que teve sorte em chegar onde chegou. Ele sempre pensou dessa forma.»

Benfica, «um dos cromos mais difíceis»

A co-autora do livro leu, para o Maisfutebol, algumas passagens do capítulo dedicado ao Benfica. Palavras de Joan Capdevila.

«Estava na pré-temporada com o Villarreal e o meu empresário falou-me na hipótese de ir para o Benfica. Sinceramente, nunca pensei que pudesse jogar em Portugal, mas sim na liga inglesa ou italiana.»

«Foi uma surpresa mas uma surpresa boa. O Benfica é um histórico, algo como um dos cromos mais difíceis de conseguir nas cadernetas (ndr. expressão para salientar a grandeza do clube). Só o nome dá-me a sensação de grandeza.»

«Chegar ao Estádio da Luz foi incrível, recordei o meu primeiro europeu com a seleção espanhola, em 2004. Conheci Eusébio, fui apresentado e tive apenas tempo para uma breve visita a Lisboa.»

«Vim com imensa vontade de trabalhar mas as coisas não têm corrido como estava à espera. O futebol é assim e só posso esperar, continuar a trabalhar. Continuarei à espera da minha oportunidade.»

«És bonito, Beckham»

Joan Capdevila dedica os restantes dez parágrafos do livro ao seu percurso no futebol. Sempre relacionando o seu sucesso, o seu currículo, com uma enorme dose de Sorte.

«A sorte tocou-me como uma varinha mágica, lembro-me de quando voltei da África do Sul e dá-me quase vertigens pensar no afortunado que sou», resume o jogador.

Entre as histórias do livro, destaque para um duelo particular com David Beckham. Certo dia, Capdevila quis intimidar o seu adversário direto e aplicou uma fórmula original. «És bonito, Beckham», disse-lhe.