Competition
Match phase
Final
Data
Sun, 26 April, 2026, 14:00
Estado
Played
Tv broadcast
Canal 11

 

Rainhas da prova-rainha! Neste domingo, 26 de abril, no Pavilhão Multiusos de Gondomar, a equipa feminina de futsal do Benfica superou o Nun'Álvares, por 1-0, na final da Taça de Portugal e reforçou o seu estatuto como emblema mais ganhador do certame, conquistando-o pela 10.ª vez, a 4.ª seguida.

 

No caminho até ao jogo decisivo, as águias deixaram para trás o Pinhelenses (13-0), a Juventude Ouriense (0-6), o Leões Porto Salvo (4-2) e o SC Braga (3-1), enquanto a formação de Fafe eliminou a UD Estrelas Rio Mau (21-0), o 3 d’Agosto de 1885 (19-0), o Santa Luzia (5-0) e a EDC Gondomar (5-0).

 

Assegurando que apresentaria "um Benfica a 100% e preparado para vencer" nas declarações pós-jogo das meias-finais, Paulo Roxo escalou um cinco inicial composto por Ana Catarina, Maria Pereira, Janice, Fifó e Inês Matos.

 

Em mais uma edição do maior embate do futsal feminino nacional, entre os dois coletivos que têm disputado a esmagadora maioria dos títulos na história recente da modalidade, o ambiente começou a animar ao longo do período de aquecimento, à medida que os adeptos começavam a preencher as bancadas.

 

Uma das primeiras grandes ovações dos Benfiquistas surgiu quando o speaker anunciou a constituição da equipa encarnada, voltando a fazerem-se ouvir, de pé, no momento da reentrada das atletas em quadra.

 

Entoado o hino nacional, feitos os cumprimentos entre os coletivos e sorteada a escolha entre campo e bola, a final da Taça estava prestes a arrancar, mas não sem antes as águias se reunirem mais uma vez na habitual roda, soltando o grito de guerra.

 

Num começo de jogo algo amarrado – mas nem por isso silencioso, com os Benfiquistas a expressarem o seu apoio –, as primeiras ocasiões foram do Glorioso.

 

Aos 2', após uma recuperação subida, Fifó conduziu a transição e rematou ligeiramente ao lado a partir de posição frontal. No minuto seguinte (3'), a camisola 9 do Benfica emendou um cruzamento de Maria Pereira, mas Júlia Melz sacudiu pela linha final. No 5.º minuto, a guarda-redes teve de voltar a aplicar-se para afastar um tiro forte de Angélica Alves.

 

No primeiro ataque perigoso do Nun'Álvares, aos 6', Dinha tentou a sua sorte de longe, mas Ana Catarina correspondeu com uma intervenção atenta. Numa resposta imediata (6'), Fifó saiu no contra-ataque e disparou para nova defesa de Júlia Melz.

 

Posteriormente, as comandadas de Paulo Roxo aproveitaram as bolas paradas para tentar quebrar a resistência oponente, mas Júlia Melz travou os livres diretos de Raquel Santos (8') e de Maria Pereira (9').

 

Mesmo com menor volume ofensivo, as nortenhas quase marcaram aos 10', quando Camila Silva aproveitou um corte incompleto e, na área, finalizou para defesa atenta de Ana Catarina com os pés.

 

Três minutos volvidos (13'), o coletivo vermelho e branco dispôs de uma ocasião soberana, quando Inês Fernandes apareceu isolada na frente, mas, mais uma vez, com grande categoria, Júlia Melz negou o golo.

 

Mesmo depois de um desconto de tempo aos 13', o Benfica não perdeu gás, tendo Raquel Santos atirado para encaixe da guarda-redes oponente (13'), e Janice enviado a bola sobre a trave, na sequência de um desvio (14').

 

De seguida (14'), numa reposição lateral, Maria Pereira cruzou, e Inês Fernandes cabeceou para a boca da baliza, onde Janice rematou ao poste. O golo estava muito perto...

 

Após tamanha ameaça, as águias conseguiram mesmo inaugurar o marcador. À passagem dos 15', na cobrança de um canto à esquerda, Inês Fernandes descobriu Fifó (eleita melhor jogadora em campo) no coração da área, e esta não perdoou de posição privilegiada (1-0), soltando a festa na bancada encarnada.

 

No seguimento de outro timeout, Beatriz Fonseca apareceu desmarcada no ataque, mas disparou ligeiramente ao lado, aos 16'. Pouco depois (17'), Fifó tentou marcar de fora da área, mas Júlia Melz amarrou.

 

Numa ponta final de 1.ª parte agitada, verificaram-se grandes chances para os dois lados. Bruna Carolina, sozinha na frente, só não festejou porque Júlia Melz fez mais uma enorme intervenção (20'), e, com duas perigosas tentativas no mesmo lance, Camila Silva obrigou Ana Catarina a também aplicar-se com dificuldade (20').

 

Deste modo, as encarnadas recolheram aos balneários a ganhar por 1-0.

 

Em desvantagem, o Nun'Álvares pressionou em busca do golo ao longo da etapa complementar, mas as águias também não se inibiram ofensivamente e, nos momentos de maior aperto, contaram com o amparo dos Benfiquistas.

 

Assim, na primeira oportunidade desta metade, Camila Silva, à esquerda, atirou em força um pouco ao lado do alvo (22'). No minuto seguinte (23'), teve de ser Ana Catarina, com rápidos instintos, a afastar um tiro de Lídia Moreira a partir da mesma zona.

 

Na frente contrária, aos 25', num bom trabalho de pivô, Angélica Alves rodou sobre a sua marcadora e encheu o pé, mas saiu um pouco desenquadrado.

 

Ainda no mesmo minuto (25'), Ana Catarina fez mais duas paradas com os pés, face a tentativas de Camila Silva e Lídia Moreira vindas da direita.

 

Angélica Alves voltou a ser o rosto do ataque benfiquista aos 28', quando, de ângulo apertado, na área, rematou à malha lateral.

 

Controlado o fulgor inicial adversário, as comandadas de Paulo Roxo soltaram-se e, fazendo uso da meia distância, obrigaram Júlia Melz a esforçar-se para afastar disparos de Maria Pereira (29'), Inês Matos (30') e Sara Ferreira (32').

 

Todavia, nos derradeiros minutos da contenda, a equipa de Fafe voltou à carga, em força, valendo a inspirada Ana Catarina (recebeu o prémio de melhor guarda-redes da final) entre os postes encarnados.

 

Confrontada com remates distantes de Dinha (33'), Kaka (35') e Camila Silva (35' e 36'), ou com tiros na área de Kaka (35') e Lídia Moreira (35'), a guarda-redes do Glorioso disse sempre "presente", mantendo a sua baliza impenetrável com impressionantes intervenções.

 

No último fôlego ofensivo das águias, Inês Matos viu o seu disparo na área sofrer um desvio e sair um pouco ao lado (37'), e Angélica Alves voltou a atirar às malhas laterais (39').

 

Com o Nun'Álvares a apostar na guarda-redes avançada para os últimos 3 minutos, os nervos estavam em franja. Tanto adeptos como atletas benfiquistas, no banco e em quadra, celebravam efusivamente cada corte, bloqueio ou ação que as deixava mais perto da glória.

 

A 2 segundos do soar da buzina, numa reposição lateral, Mayara Almeida cruzou para o segundo poste, Dinha cabeceou para o lado contrário, e Ana Pires, igualmente de cabeça, quase encostou para dentro, tendo o esférico passado a rasar o poste. Passou o calafrio, terminou o duelo, e estava encaminhado mais um troféu para o Museu Benfica – Cosme Damião!

 

Abraços, saltos, cânticos... A festa era fervorosa, na quadra e nas bancadas, tendo as jogadoras celebrado com os Benfiquistas.

 

Após os momentos de maior euforia, seguiu-se a cerimónia protocolar de entrega das medalhas, tendo as três equipas recebido guardas de honra, em gestos de fair play.

 

Já com as camisolas referentes à 10.ª Taça de Portugal, as águias subiram ao palco, onde prolongaram a celebração e a capitã Inês Fernandes ergueu, enfim, o caneco, para regozijo dos adeptos – com os quais ainda confraternizaram durante largos minutos, conversando e tirando fotografias para mais tarde recordar.

 

Findados os festejos, o Benfica redirecionará o seu foco para a Liga Feminina Placard. Às 20h45 de sábado, 2 de maio, disputa o jogo 1 das meias-finais do play-off da competição, frente ao Atlético CP, no Pavilhão Engenheiro Santos e Castro, na Tapadinha.

 

DECLARAÇÕES


Paulo Roxo (treinador do Benfica): "Ganhar pelo Benfica é diferente. Em termos de jogo, o resultado é justo. Poderíamos ter feito mais golos na 1.ª parte. Com o 1-0, o jogo estava aberto. Mérito para elas, mérito para nós. Somos campeões, agora é descansar. Mas, como treinador, já estou com a cabeça noutro lado, a pensar no Atlético para a semana. [Diferenças desta para as outras finais] Na Supertaça, tivemos praticamente três semanas de trabalho, os conceitos ainda não estavam consolidados. E o Paulo [Tavares, treinador do Nun'Álvares] já vinha com vantagem, pelo menos de um ano e meio, dois anos. Na Taça da Liga, fisicamente... No pós-Mundial, como já disse algumas vezes, nunca conseguimos equilibrar fisicamente as jogadoras. E até psicologicamente. Um vice-campeonato é diferente de serem campeãs do mundo. E quando falo disso, refiro-me a oito jogadoras nossas que foram ao Mundial. Chegámos bastante debilitados fisicamente. E, como também percebi que o Nun’Álvares hoje estava debilitado com algumas jogadoras, eles fizeram hoje aquilo que nós tentámos fazer na Taça da Liga: arrastar o jogo para se manterem vivos nos últimos minutos. Nós conseguimos, levámos o jogo a penáltis, tivemos oportunidade de ganhar, mas não conseguimos. Hoje, fisicamente, elas estavam melhores, apesar de ainda haver uma ou outra abaixo. O Benfica tem mais mobilidade de jogo, mais situações de golo. Hoje, a final poderia ter sido mais tranquila se tivéssemos concretizado as ocasiões da primeira parte. Pelo que tenho visto, jogos entre o Benfica e o Nun’Álvares vão ser sempre assim: poucos golos, muita emoção. Agora vamos trabalhar para vencer o Atlético e seguir caminho rumo à final."

 

Inês Fernandes (capitã do Benfica): "Agradeço, pessoalmente, à minha equipa por me ter entregado este troféu e por terem lutado por mim dentro de campo, quando eu já não sou tão capaz. Um grande obrigado, isso é que é a definição do Benfica. Saio daqui extremamente feliz. Já não levantávamos um troféu há um ano. Muita qualidade do lado de lá, ganharam a Supertaça, ganharam a Taça da Liga, mas, hoje, pelo menos durante 30 minutos, fomos a melhor equipa dentro de campo, e nos últimos 10 minutos não fomos, também condicionados um bocadinho pela qualidade adversária, pelo facto de já termos 4 faltas e de o critério estar mais apertado. Na Taça da Liga, nem sequer merecíamos chegar aos penáltis, porque elas foram superiores. Chegámos aos penáltis, porque a sorte também faz parte disto. Hoje merecemos, e bem, este troféu, e acho que do lado de lá também devem ter aceitado isso. Para mim, no futsal, este é o meu último ano, espero poder sair vencedora, estamos a trabalhar para isso. Há mais do que gente para me substituir. Nós tentámos fazer esta transição de forma suave. Não conseguimos no ano passado, porque perdemos um grande título, mas neste ano, com ou sem título, será o meu último ano. Espero poder sorrir agora no fim, claro."

 

Fifó (universal do Benfica): "É muito bom. Esta equipa nunca se cansa de ganhar. É verdade que, nos dois títulos desta época, tínhamos perdido ambos, mas lutámos sempre até ao fim e trabalhamos diariamente para conquistar títulos. É muito bom voltar a sentir o sabor – não só da vitória, mas do título –, porque a verdade é que temos conseguido vitórias, mas faltava-nos, e fazia-nos falta, um título também para nos levantar o moral. Esta equipa está de parabéns, porque deu tudo o que tinha e o que não tinha. Trabalhou muito para estar aqui e, daqui para a frente, é continuar a trabalhar para o que falta vir. [Golo da vitória] Apareci no sítio certo, foi só empurrar a bola lá para dentro, felizmente. Marquei eu, podia ter sido outra colega. O importante é ajudar a equipa a ganhar títulos – é para isso que estamos cá todas."


Raquel Santos (ala do Benfica): "Estávamos com falta disto. Perdemos há um mês e sabíamos que ia ser um jogo muito difícil – o Nun’Álvares é uma grande equipa –, mas estivemos bem, fortes. Fomos melhores do que elas do início ao fim do jogo e foi dessa forma, através da nossa união, mais do que nunca, que conseguimos conquistar a Taça."

 

Ana Oliveira (ala do Benfica): "É um sentimento inexplicável ser campeã com esta equipa. Não tenho muitas palavras. É um sentimento muito bom."

 

Inês Matos (fixo do Benfica): "É um momento único, muito nosso, por tudo o que temos passado, pelo que temos feito, pelo que temos deixado dentro do pavilhão – tudo o que temos feito para servir o Sport Lisboa e Benfica. Nem sempre tem corrido bem, mas estamos a trabalhar cada vez mais, mais, mais para sermos cada vez melhores. A primeira parte foi completamente nossa. A segunda, na verdade, foi mais disputada, mas conseguimos aguentar o resultado – e é do Benfica, isso é que realmente importa."


Angélica Alves (pivô do Benfica): "Sinto-me muito feliz pelo troféu e por aquilo que demonstrámos em campo. Tivemos um jogo muito competente da nossa parte – principalmente na primeira parte, em que fomos muito superiores. Vamos continuar a trabalhar para alcançar o objetivo maior, que é o nosso Campeonato. Foi o meu primeiro título depois de um ano de lesão e estou mesmo muito contente – contente por mim, mas, acima de tudo, contente pelas minhas colegas. Contente por dar um troféu aos nossos adeptos, que têm sido incríveis connosco. Somos uma equipa muito acarinhada, sempre, a qualquer lado que vamos. Acima de tudo, é honrar quem cá está e, num futuro próximo, fazer com que sejam lembradas – é para isso que estamos aqui."

 

Informação do Jogo: https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/noticias/2026/04/26/futsal-feminino-benfica-nun-alvares-final-taca-de-portugal-feminina

 

Coming soon