Competition
Match phase
Final
Data
Sun, 10 May, 2026, 12:00
Estado
Played
Tv broadcast
RTP 2

 

No decisivo jogo da WSE Champions League Women, o Benfica perdeu diante do CP Esneca Fraga, por 4-1. Ainda assim, saiu de cabeça erguida, num encontro em que deu tudo em pista, evidenciando entrega até ao último instante. A equipa encarnada contou com o apoio incansável dos seus adeptos, que nunca deixaram de a incentivar até ao último segundo na pista.

 

Rainha em Portugal – onde conquista o Campeonato Nacional há 12 épocas consecutivas –, a equipa feminina de hóquei em patins do Benfica fez um percurso imaculado até ao último degrau do trono europeu. Uma conquista que foge desde 2014/15, época na qual o Glorioso se sagrou campeão da Europa pela primeira vez, com Paulo Almeida ao leme e Maria Vieira e Marlene Sousa entre as jogadoras.

 

Na fase de grupos, terminou no 1.º lugar, com um registo de 4 vitórias e 2 empates. Seguiu-se a fase a eliminar, na qual, nas meias-finais, as águias afastaram o Telecable, com um triunfo por 5-2. Quis o destino que a final fosse diante do CP Esneca Fraga, emblema com o qual as encarnadas haviam empatado por duas vezes (2-2), no Grupo B.

 

Lançados os dados... restava jogar!

 

Grande ambiente no Pavilhão Municipal Mário Mexia, em Coimbra. Tal como havia sido apanágio nesta fase da prova, tanto no masculino como no feminino, os Benfiquistas mostraram apoio incansável à equipa comandada por Paulo Almeida. Na tribuna presidencial, o Presidente Rui Costa assistia ao duelo.

 

Com o setor destinado aos adeptos do Benfica muito bem composto, o apoio às águias fez-se ouvir desde cedo. Apresentadas as equipas, ergueram-se bandeiras, rodopiaram cachecóis e cantou-se a uma só voz.

 

Tinha tudo para dar certo e tinha de dar! Pelo Clube, pelos adeptos, pelo trabalho incansável de uma equipa hegemónica no plano nacional e merecedora da recompensa europeia.

 

Em contagem decrescente, depois de apresentado o cinco inicial – composto por Maria Vieira, Marlene Sousa, Aimée Blackman, Maria Sofia Silva e Raquel Santos –, a equipa reuniu-se, soltou o grito de guerra e ocupou o seu lugar na pista.

 

Soou o apito inicial e, a par das stickadas e do deslizar dos patins, só se ouvia Benfica. Num início equilibrado, com aproximações a ambas as balizas, foi o CP Esneca Fraga a inaugurar o marcador. No minuto 3, Adriana Soto libertou-se da marcação, encontrou uma aberta na baliza à guarda de Maria Vieira e assinou o 1-0.

 

Depois do golo sofrido, Paulo Almeida pedia calma e discernimento, enquanto transmitia indicações táticas para reorganizar a equipa. Nas bancadas, a mensagem era clara: "Força Benfica, vence por nós." Após um período de maior ascendente das espanholas, as águias voltaram a crescer no encontro e, aos 9', Aimée Blackman testou os reflexos de Anna Ferrer. No minuto seguinte, Maria Vieira negou o golo a Marlena Rubio.

 

No minuto 11, o técnico do CP Esneca Fraga pediu um desconto de tempo. No regresso à pista, Maria Vieira brilhou com duas defesas a remates de Carla Fontdegloria. Dois minutos depois, Marlene Sousa atirou forte, Anna Ferrer afastou e, no contra-ataque, a guardiã benfiquista voltou a impedir o golo de Marlena Rubio.

 

Com grandes arrancadas em contra-ataque, Aimée Blackman levava o jogo até à área do CP Esneca Fraga, cuja defesa fechava os caminhos para a baliza e travava as investidas encarnadas. No minuto 14, a avançada do Benfica sofreu falta na área, mas a equipa de arbitragem nada assinalou. O conjunto espanhol apresentava um jogo muito físico e duro, sem consequências disciplinares.

 

As águias continuavam à procura de desmontar a teia defensiva do CP Esneca Fraga, mas sem sucesso. A cada remate de longe – única forma de levar perigo à baliza adversária –, os adeptos, incansáveis desde o primeiro segundo, faziam-se ouvir.

 

No minuto 19, Adriana Soto rematou de fora da área para o 2-0. O sentido de oportunidade revelava-se decisivo. Aos 25', Maria Vieira evitou o 3-0, ao travar um remate de Carla Fontdegloria. Na resposta, Raquel Santos atirou para defesa de Anna Ferrer.

 

O intervalo chegou com o 2-0 no marcador.

 

O Benfica entrou em força na 2.ª metade, transportando a raça e a atitude que já demonstrava para dentro da pista. No minuto 30, Raquel Santos picou a bola, mas Anna Ferrer afastou o perigo. A guarda-redes do CP Esneca Fraga via-se obrigada a intervir constantemente perante a pressão encarnada, que impunha um ritmo intenso e empurrava as espanholas para junto da sua baliza.

 

Para tentar condicionar o ascendente benfiquista, o conjunto espanhol apostou numa defesa individual em 1x1. A estratégia, porém, não abrandou o Benfica, que respondia com intensidade física e continuava a assumir o controlo do encontro. Aos 34', Aimée Blackman dispôs de uma oportunidade com selo de golo: Inês Severino trabalhou bem a bola e deixou a avançada espanhola das águias em posição privilegiada, mas o remate saiu por cima.

 

A 10.ª falta do CP Esneca Fraga surgiu aos 36', oferecendo ao Benfica uma ocasião de ouro para reduzir a desvantagem. Aimée Blackman assumiu a cobrança do livre direto e, por instantes, o pavilhão pareceu suspenso no tempo. A benfiquista atirou ao lado, mas o lance não terminou aí. Na sequência da defesa, Anna Ferrer atingiu a cara da avançada com o stick, gerando protestos imediatos nas bancadas e junto das jogadoras encarnadas. Maria Vieira fez de imediato sinal para revisão do lance e, após análise das imagens, foi assinalado penálti. A guardiã espanhola viu ainda cartão azul devido à infração. Desta vez, Raquel Santos assumiu a cobrança, mas a guarda-redes suplente, Leyre López, voltou a negar o golo.

 

O Benfica mantinha-se por cima e acabou por ser recompensado. Numa jogada construída com critério, paciência e circulação rápida de bola, as águias chegaram ao 2-1, aos 37'. Sara Roces apareceu no momento certo para dar a stickada decisiva e fazer explodir de alegria os Benfiquistas presentes em Coimbra. O golo era justo perante a superioridade encarnada nesta fase da partida e alimentava a crença nas bancadas, onde os cânticos subiam de intensidade a cada recuperação de bola e a cada investida ofensiva.

 

Empurrado pelo apoio vindo das bancadas, o Benfica continuou à procura do empate. As encarnadas pressionavam alto, aceleravam em transição e insistiam junto da baliza adversária, mas Anna Ferrer voltava a impor-se entre os postes.

 

Quando o Benfica parecia mais perto de empatar, surgiu um golpe duro nas aspirações encarnadas. Depois de muita insistência ofensiva do CP Esneca Fraga, Carla Fontdegloria ampliou a vantagem para 3-1. Com 8 minutos por jogar, a tarefa complicava-se, mas não se tornava impossível. Ainda assim, o conjunto espanhol acabaria por sentenciar a final aos 45', quando María Sanjurjo assinou o 4-1.

 

O desalento tornou-se visível nos rostos das jogadoras do Benfica, mas nunca houve resignação. Mesmo perante o peso do resultado e a pressão do relógio, as águias continuaram a atacar, impulsionadas por uma bancada que se recusava a deixar cair a equipa.

 

No minuto 46, o Benfica atingiu a 10.ª falta. Na cobrança do livre direto, Maria Vieira respondeu com uma defesa a remate de Julieta Fernández, arrancando nova ovação aos Benfiquistas.

 

O apito final confirmou a derrota encarnada, mas não apagou o percurso notável realizado pelo Benfica ao longo da competição. Numa final intensamente disputada, as águias mostraram personalidade, sempre apoiadas por uma massa adepta incansável, que transformou Coimbra num verdadeiro palco de Benfiquismo.

 

Esgotado o tempo, ficaram inevitáveis as lágrimas nos rostos da equipa, que foi ovacionada pelos Benfiquistas. Em espírito de fair play, as jogadoras encarnadas cumprimentaram as campeãs e dirigiram-se depois aos adeptos, que continuavam a cantar: "Sou Benfiquista com muito orgulho." Um sentimento que se estendia ao coletivo comandado por Paulo Almeida.

 

Feita a guarda de honra pelo CP Esneca Fraga, a equipa do Benfica recebeu as medalhas de vice-campeãs. Antes de recolherem aos balneários, as águias posaram uma última vez em frente aos seus adeptos.

 

As dodecacampeãs nacionais viram-se agora para o Campeonato Nacional. No sábado, 16 de maio, às 20h00, deslocam-se ao reduto do HC Maia, em jogo da 12.ª jornada da fase regular. No domingo, dia 17, pelas 18h00, nova visita, desta feita a casa da Escola Livre, a contar para a 13.ª ronda.

 

DECLARAÇÕES


Paulo Almeida (treinador do Benfica): "Quando se perde uma final por 4-1... O Fraga aproveitou as oportunidades que criou. E o Benfica teve algumas oportunidades e não conseguiu fazer os golos. Faltou marcar golos que não marcámos. É evidente que o Fraga fez um grande jogo, tem grandes executantes, tem uma grande guarda-redes e acho que o momento crucial do jogo foi quando a guarda-redes é excluída com o cartão azul. Nós temos duas bolas paradas enquanto está 2-0, não conseguimos fazer golo na bola parada e depois fazemos o 2-1 e a seguir elas fazem 3-1. Se aproveitamos as duas bolas paradas quando está 2-0 para igualar o marcador, estávamos no jogo. Subimos um bocadinho as linhas para tentar fazer o 2-2, esse era o risco que podíamos correr. Subindo um bocadinho as linhas podíamos dar transições ou que uma jogadora individualmente pudesse chegar à nossa baliza. Depois do 3-1 acho que o jogo praticamente acabou. Hoje não foi o dia do Benfica, parabéns ao Fraga. E, mais uma vez, quero agradecer a estes adeptos magníficos que vieram ao pavilhão puxar pela equipa do primeiro minuto até ao fim. Nós queremos voltar a conquistar o Campeonato. Dói para toda a gente, vou dar agora uns dias de descanso."

 

Aimée Blackman (avançada do Benfica): "Foi um jogo tremendamente difícil. Não estivemos bem na defesa no início do jogo e o adversário colocou-se na frente do marcador. Não soubemos sofrer, tentámos no final. Ficámos a um golo, e depois o 3-1 matou o jogo."

 

Informação do Jogo: https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/noticias/2026/05/10/hoquei-em-patins-feminino-jogo-esneca-fraga-benfica-final-wse-champions-league-women

 

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