Final eletrizante, muito disputada e decidida no prolongamento! Com uma grande réplica, o Benfica bateu de frente com o Sporting, mas acabou por perder no último minuto, por 39-41. Inglório face à entrega das águias.
À procura de conquistar um troféu que lhe escapa desde 2018, o Benfica entrou com ambição, mas ciente de que, pela frente, encontraria um rival de grande qualidade, como afirmou Jota González na antevisão.
Um dérbi é sempre um dérbi e, neste caso, sendo uma final, o apoio dos Benfiquistas seria imprescindível. Tal como na decisão feminina, os adeptos compareceram em bom número, proporcionando um grande ambiente no recinto.
Dez minutos depois das 18h00 deste domingo, 7 de junho, os jogadores começaram a subir à quadra para realizar os exercícios de aquecimento. O relógio marcava 18h20 quando os primeiros adeptos pintaram as bancadas do Panorama – Multiusos de Alcobaça. Frente a frente, vermelho e verde davam cor ao dérbi.
A 15 minutos do início (19h15), as equipas recolheram aos balneários. Com o troféu no centro da quadra e bandeiras com os emblemas das equipas a comporem o cenário, era apenas uma questão de tempo até soar a buzina que daria início ao dérbi.
Apresentada a equipa de arbitragem, foi a vez das águias e dos leões. Um a um, os jogadores foram chamados ao campo, sob aplausos dos adeptos. Entre os Benfiquistas, famílias com adeptos dos dois clubes assistiam ao jogo.
Cantado o hino nacional, as equipas cumprimentaram-se e dirigiram-se aos respetivos bancos. Feita a habitual roda, os encarnados deram o seu grito de guerra. Estava tudo a postos para o dérbi.
Rangel da Rosa, Miguel Sánchez, Gabriel Cavalcanti, Ander Izquierdo, Bélone Moreira, Christopher Hedberg e Fábio Silva foram os sete jogadores escalados por Jota González para arrancar o encontro.
O Sporting entrou a todo o gás e, sem conseguir travar defensivamente o caudal ofensivo dos leões, o Benfica perdia por 2-6 aos 5'. Fábio Silva reduziu para 3-6 no minuto 6, mas os verdes e brancos tinham resposta pronta, fuzilando pela esquerda do ataque.
Numa jogada bem desenhada pelo Benfica, Bélone Moreira e Reinier Taboada combinaram para a finalização de Ander Izquierdo e o 5-8 no marcador. Depois de uma bola do Sporting ao ferro, os encarnados saíram para o ataque, mas o guardião verde e branco defendeu o remate de Reinier Taboada. No minuto 11, André Kristensen nada conseguiu fazer para impedir o golo do lateral-esquerdo das águias (6-8).
Com dois golos consecutivos, o Sporting dilatou para 6-10. Javi Rodríguez rubricou o 7-10, seguindo-se duas importantes defesas dos encarnados, que arrancaram aplausos aos Benfiquistas. No contra-ataque, golo de Ander Izquierdo e, depois, de Gabriel Cavalcanti, reduzindo a desvantagem para a margem mínima: 9-10.
No minuto 16, o resultado era de 9-11. Melhor defensivamente, o Benfica esteve perto de voltar a aproximar-se a um golo, após uma grande arrancada de Gabriel Cavalcanti, mas Miguel Sánchez foi travado em falta (18'). E foi pela mão de Javi Rodríguez que os encarnados marcaram.
O encontro estava disputado, com o Benfica a dar boa réplica. Feito o 12-13, com um golo de Gabriel Cavalcanti, Ander Izquierdo puxou pelos adeptos, que responderam com fortes aplausos.
Bola do Sporting ao poste e, na jogada seguinte, bem trabalhada, o Benfica não conseguiu igualar. Aplaudidas de um lado, assobiadas do outro, as águias mantinham-se focadas no seu jogo, mantendo as contas equilibradas.
Com fome de golo, o Benfica mostrou alguma desorganização defensiva e, numa fase em que também não tinha guarda-redes na baliza, permitiu que o Sporting cavasse a vantagem (13-17). No banco, Jota González dava indicações, enquanto Gustavo Capdeville puxava pela equipa.
Alejandro Barbeito, no último segundo da 1.ª parte, fixou o marcador em 17-20.
No reatamento, na execução de um livre, Mikita Vailupau anotou o 18-20 (31'). Mais eficaz no ataque, o Sporting ampliou a vantagem para 19-24. Nesta 2.ª parte, para tentar inverter o rumo dos acontecimentos, Jota González apostou no 7x6.
Miguel Sánchez, no minuto 38, voltou a deixar o resultado pela margem dos 3 golos de diferença (21-24). O 22-24, de Reinier Taboada, deu ainda mais crença ao coletivo comandado por Jota González. No banco, Javi Rodríguez gritava "vamos, vamos".
E mesmo com a distância no marcador a tornar-se maior, a equipa não baixava os braços (23-26, aos 42'). Aproveitando a inferioridade numérica do Benfica, o Sporting ampliou para 5 os golos de diferença (24-29). Com dois golos e uma defesa de Gustavo Capdeville pelo meio, as águias colocaram-se em 26-29. Seguiu-se mais uma defesa do guardião encarnado... e mais um golo! Com 10 minutos para se jogar, o marcador apontava 27-29. Tudo em aberto!
Nas bancadas, os Benfiquistas puxavam pela equipa. Dez minutos e 3 golos separavam os encarnados do triunfo. Era possível, mas do outro lado também estava um emblema com a mesma ambição. No pavilhão, a esta altura, só se ouvia Benfica!
Gabriel Cavalcanti reduziu para 29-31, aos 52', e o Sporting respondeu. Na fase decisiva do jogo, tanto na quadra como nas bancadas havia ritmo e intensidade. Defesa de Gustavo Capdeville e, com um golo de Pau Oliveras, o resultado ficou a um golo: 31-32. Ambiente bonito, mais uma defesa do guarda-redes das águias e, pela primeira vez, o empate no jogo, depois de um golo de Fábio Silva.
"Glorioso SLB" gritava-se em fortes pulmões. De livre direto, Orri Thorkelsson devolveu a superioridade aos leões, e o Benfica respondeu por Miguel Sánchez. Que final e que emoção! Mohamed Aly travou aquele que seria o golo da vantagem.
A esta altura, nada mais além dos adeptos se ouvia no pavilhão. Com dois minutos para se jogar e 33-33 no marcador, Orri Thorkelsson falhou o livre. Respirava-se esperança no Panorama – Multiusos de Alcobaça e Miguel Sánchez deu aos Benfiquistas motivos para sonhar com o 34-33!
Um minuto... novo golo de Miguel Sánchez (35-34) e estava ao rubro o vermelho e branco no pavilhão. De livre, Orri Thorkelsson igualou (35-35) e, agora, era um verdadeiro mata-mata. No último lance do tempo regulamentar, Gabriel Cavalcanti não arriscou o remate. Ia decidir-se no prolongamento.
No primeiro ataque, o Sporting atirou ao lado. Do lado do Benfica, duas defesas dos leões e, em contra-ataque, Salvador Salvador marcou (35-36). As águias não ficaram atrás e, por Ander Izquierdo, igualaram novamente. Jogava-se com coração. Como não? Quatro anos volvidos da última conquista (EHF European League), a equipa de andebol do Benfica estava perto de voltar a erguer um troféu.
Equilíbrio no marcador, empates sucessivos, e os primeiros 5 minutos terminaram com o Benfica na frente, por 38-37.
No 2.º prolongamento, o Sporting fez o 38-38 e o ambiente tornou-se ensurdecedor. O Benfica voltou ao comando (39-38) e Gustavo Capdeville – imperial na sua última partida de águia ao peito – defendeu o livre que daria a igualdade aos leões. Faltava um minuto para terminar quando os leões igualaram (39-39). Na jogada do que seria o golo da vitória, as águias falharam o ataque. Os verdes e brancos marcaram (39-40), vencendo por 39-41 com um empty goal.
Em pé, com fortes aplausos, os adeptos mostraram respeito pelo que a equipa acabava de fazer. Dirigindo-se à bancada, os jogadores agradeceram o forte apoio.
Recebidas as medalhas, o coletivo do Benfica assistiu à entrega da taça ao vencedor, despediu-se dos seus adeptos e recolheu aos balneários.
Fica um sabor amargo, mas fica, também, a imagem de uma equipa que, com os seus adeptos, lutou com alma e coração pelo troféu.
DECLARAÇÕES
Jota González (treinador do Benfica): "Penso que é evidente que a tática de 7 contra 6 funcionou. Perdemos porque desperdiçámos muitas oportunidades. Era a arma que tínhamos, porque eles têm uma equipa muito superior, como demonstraram durante todo o ano. Tivemos duas semanas para preparar esta tática diferente. Penso que funcionou bem, mas chegámos ao prolongamento com os jogadores completamente exaustos, cansados, jogando com os mesmos jogadores, e pagámos a fatura."
Ander Izquierdo (central do Benfica): "Quero agradecer a todos os adeptos do Benfica que vieram assistir ao nosso jogo e demonstrar o seu apoio, a todos os que acreditaram em nós, mas é assim: até ao apito final do árbitro, o jogo não acaba. Parabéns ao Sporting. Foi uma época muito complicada para nós. Preparámos o jogo durante duas semanas, acho que fizemos tudo o que podíamos e estou muito orgulhoso do jogo da nossa equipa."
FICHA DE JOGO
Formação inicial do Benfica: Rangel da Rosa, Miguel Sánchez, Christopher Hedberg, Gabriel Cavalcanti, Bélone Moreira, Fábio Silva e Ander Izquierdo
Suplentes: Gustavo Capdeville (J), Miguel Mendes (NJ), Pau Oliveras (J), Kristian Olsen (J), Alejandro Barbeito (J), Alexis Borges (J), Mikita Vailupau (J), Reinier Taboada (J) e Javi Rodríguez (J)
Marcadores do Benfica: Christopher Hedberg (1), Gabriel Cavalcanti (9), Fábio Silva (2), Javi Rodríguez (5), Ander Izquierdo (4), Reinier Taboada (3), Alejandro Barbeito (2), Miguel Sánchez (7), Mikita Vailupau (4), Pau Oliveras (1) e Bélone Moreira (1)
Informação do Jogo: https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/noticias/2026/06/07/andebol-jogo-benfica-sporting-final-taca-de-portugal
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