A gente engalispava-se a vê-lo jogar. A gente salivava de prazer. “Dá ao Valdo que ele resolve”, pedia a gente. E o Valdo satisfazia a gente. “A gente simplesmente sabe, mas não faz a menor ideia disso”, dizia Tostão, também brasileiro e gente artista. Era mesmo assim aquele meio-palmo-de-gente. Gente grande do futebol. Gente com lugar na história de outra gente. A da gente do Benfica.Deliciava no Grémio de Porto Alegre, quando enveredou pela primeira aventura além-fronteiras. A empreitada conheceu engulhos. Valdo era um ídolo e só a persistência do Benfica lhe aguçou a tentação. Logo na estreia, em Espinho, no inicio da temporada 88/89, a sua classe parecia não caber no campo. O jogo até deu empate, mas deu Valdo, muito Valdo. Estava encontrado o playmaker, como sói dizer-se em inglês, essa quase língua universal. Foi uma temporada deslumbrante. O tridente brasileiro (Valdo, Mozer e Ricardo Gomes) pintava a festa do campeonato a vermelho… verde e amarelo. Foi um triunfo com sotaque. O centrocampista actuou em 28 jogos e marcou cinco golos. No ano seguinte, ainda que não revalidasse o titulo, ao Benfica presença reservada estava no mais desejado palco europeu da especialidade. Em jogo equilibrado, o Milan levou a melhor, mas Valdo haveria de provar quão insubmissa era a sua equipa, perante a melhor formação mundial daquele tempo a nível de clubes. Em 90/91, terminou a época, curtindo de novo o prazer da faixa de campeão, antes de rumar a Paris, com o ego em alta e as finanças em prosperidade.
Regressou em 95/96, já luso-brasileiro, para de novo pautar as operações a meio-campo. Vivia-se o inicio da era horribilis do Benfica. Disfarçou, porque qualidades não havia perdido. Ainda venceu uma Taça de Portugal, última nota do quadro de honra benfiquista até à celebração do Centenário.De Valdo fica a recordação do operário especializado no jogo das multidões. O perfume dos seus passes. A arte dos seus rendilhados. A música dos seus concertos. Com a magia das suas viagens, Valdo foi um dos melhores jogadores estrangeiros do Benfica. Daqueles para quem a vida só dura hora e meia. Assim incendiou degraus e degraus pejados de fãs do seu futebol. Do seu Benfica.
Épocas no Benfica: 5(88/91 e 95/97)Jogos: 184Golos: 28Títulos: 2CN, 1TP, 1ST Texto: Memorial Benfica, 100 GlóriasCopiado de Ednilson